Evento da SMP debate a violência sexual na infância e adolescência e a sífilis

Fórum reune pediatras, ginecologistas e outros profissionais da saúde na AMMG

 

No dia 21 de outubro, aconteceu o “Fórum de Prevenção à Violência Sexual na Infância e Adolescência e o Surto da Sífilis”. Realizado pela Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), pela Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG) e pela Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), o evento reuniu profissionais da saúde e público em geral na sede da AMMG. Recepcionando os presentes, a pediatra Marisa Lages Ribeiro, presidente da SMP, o ginecologista João Tadeu Leite dos Reis, membro do Comitê de Ginecologia Infanto-puberal da SOGIMIG celebraram a parceria que, segundo eles, ainda pode render muitos eventos e ações.

A palestra “Panorama Estatístico do Abuso Sexual na Infância e Adolescência no Brasil”, ministrada pela ginecologista Cláudia Barbosa Salomão, do Comitê de Ginecologia Infanto-puberal da SOGIMIG, deu início às atividades. Segundo estatísticas, as principais vítimas de violência sexual são do sexo feminino, com a média de idade de 9,2 anos (já os meninos, a média é de 9,7 anos). Cláudia afirmou que o abuso sexual perpassa por todas as classes sociais e é circundado pelo chamado “pacto do silêncio”, fazendo com que grande parte dos casos de violência sexual seja subnotificado no Brasil.

Na sequência, a palestra “Fluxograma e Primeiro Atendimento nos Casos de Abuso” foi ministrada pela ginecologista Maria Flávia Brandão, da equipe de sexologia forense do IML. Segundo Maria Flávia, é necessária que a vítima de abuso sexual seja encaminhada ao serviço especializado de atendimento a mulheres vítimas de violência sexual, para assistência à saúde e coleta dos vestígios. Em cidades que não possuem tal serviço, é a paciente deve ser encaminhada a um hospital de urgência. Além disso, a médica também abordou sobre o fluxograma no atendimento das pacientes, desde o acolhimento da vítima até a coleta e preservação de evidências.

Já a pediatra Silvia de Andrade Carneiro apresentou a aula “Como Suspeitar do Abuso Sexual na Infância e Adolescência”, afirmando que cerca de 87% dos abusos ocorrem dentro da família ou envolvem pessoas da convivência da criança. Silvia também expôs alguns efeitos da violência sexual na infância e adolescência que devem ser acompanhados pelos responsáveis, como mudanças de comportamento ou de hábitos súbitas, enfermidades psicossomáticas, comportamentos sexuais e traumatismos físicos. Por fim, a médica falou sobre a importância da educação sexual e da comunicação entre a criança e seus responsáveis.

Surto da Sífilis

Na palestra “Panorama da Sífilis no Brasil e Surto Atual”, a ginecologista Virginia Werneck afirmou que a infecção sexualmente transmissível (IST) possui diversos estágios e a transmissão de sífilis na adolescência torna-se mais delicada devido à vulnerabilidade inerente à faixa etária, além da maior exposição às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). De acordo com o Ministério da Saúde, o aumento no número de casos de sífilis se deve, principalmente, a não utilização de preservativos, ao caráter silencioso da infecção, tratamento inadequado ou não tratamento, além da falta da penicilina benzatina no mercado nacional, entre os anos de 2014 e 2015. Virginia reiterou que a prevenção principal é o uso de preservativo, além de políticas públicas de sensibilização da população quanto aos riscos relacionados à doença, a educação em saúde reprodutiva e a busca ativa de portadores assintomáticos.

A última atividade foi comandada pela pediatra Maria Gorete dos Santos, coordenadora municipal da Saúde Sexual e atenção às IST da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, que falou sobre a “Sífilis Congênita e suas Repercussões”. Segundo ela, um tema tão importante para a saúde pública na atualidade. Gorete mostrou que a sífilis congênita é a 2ª causa de perda fetal no mundo, depois da malária. “A transmissão materno-fetal é que a tem ganhado maior atenção, mas nós precisamos tratar a sífilis como um todo”, disse a médica. “A doença é evitável, conhecida e facilmente tratável”.

 

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